Kraft, o pai da curva insulinêmica

Ivor Cummins entrevista o Dr. Joseph Kraft. Slides originais aqui.

Transcrição da entrevista legendada por mim em português. Após a publicação pelo Dr. Souto em seu blog (obrigada!), este vídeo foi exibido aproximadamente 1.000 vezes por dia durante 4 dias (até o momento). É gratificante saber que estas informações estão chegando a tantas pessoas. Infelizmente as pessoas que me motivaram a legendar a entrevista ainda não assistiram ao vídeo.

Para quem ainda não segue uma dieta Páleo ou Low Carb, o exame de curva insulinêmica pode ser bastante útil. Ele é realizado em qualquer laboratório sob o nome de “Curva Insulinêmica de X horas”, onde X= nr. de horas requeridas pelo médico, podendo ser de 2 a 6, com medições de glicose e insulina em intervalos fixos de tempo. O paciente deve chegar ao laboratório em jejum de 12 horas. Quem já trata o problema via abordagem nutricional mas mesmo assim quiser realizar o exame, deverá consumir 150 g de carboidratos ao dia por 3 dias antes do exame.

Sintomas possivelmente indicadores de hiperinsulinemia incluem pressão alta, esteatose hepática, triglicerídeos acima de 150 mg/dL, Síndrome do Ovário Policístico (SOP), disfunção erétil, diabetes gestacional, psoríase12, Acantose Nigricans, queratose pilar, acne, pólipos cutâneos, perturbações de equilíbrio (labirintite etc.), histórico familiar de doença vascular/cardiovascular e outros que serão aqui abordados futuramente.

INTRODUÇÃO

PARTE 1 – KRAFT DESCOBRE

PARTE 2 – A VERDADEIRA CAUSA

PARTE 3 – O EXAME QUE REVELA

PARTE 4 – DESCOBERTA DURANTE A GUERRA DA COREIA

PARTE 5 – PATOLOGIA

PARTE 6 – PERDEU-SE A AUTÓPSIA

PARTE 7 – O DESPERTAR DO PÚBLICO

PARTE FINAL – A SOLUÇÃO

Translated from English by I. D. Schmidt

IC- O dano começa antes da hiperglicemia?

JK- Correto.

INTRODUÇÃO

Antes de conversarmos pessoalmente com o Dr. Kraft, vamos sumarizar a incrível história de seu trabalho em 5 minutos, a qual foi descrita por alguns como sem precedentes na medicina – e assim é.

Completando 95 anos este mês (08/2015), ele publicou um livro de profunda importância para o mundo explicando como você e seus entes queridos podem evitar de fazer parte da epidemia de diabetes tipo 2, que praticamente está levando por si só à toda doença cardíaca no mundo moderno.

Ainda acredita-se que o diabetes tipo 2 seja uma doença caracterizada por glicose elevada no sangue, mas isso absolutamente não é verdade.

A verdadeira causa do diabetes tipo 2 tem suas origens em níveis elevados de insulina e resistência insulínica, as quais devem ser verificadas para diagnosticar e corrigir o diabetes em seu estágio inicial.

Vamos dar uma olhada na estratégia de Kraft para diagnosticar diabetes e doença cardíaca e como evitar desenvolvê-las. É crucial o diagnóstico do diabetes. Se não puder ser medido, como é possível tomar medidas para corrigi-lo?

Primeiro, temos o exame comum de glicose em jejum, no qual se jejua durante a noite e então colhe-se sangue. Esse é um exame muito ineficaz para diagnosticar diabetes. Cerca de 90% das pessoas com resultado positivo pelo exame apropriado de Kraft não apresentaram alterações neste. Portanto, a maioria não é detectada. Quando a glicose em jejum estiver descontrolada, é porque você já estava diabético há muito tempo.

Aqui vemos o não tão comum exame de tolerância à glicose. Você poderá ser submetido a esse se o de jejum tiver dado positivo. Neste, você bebe uma quantidade específica de glicose e então a glicose no sangue é verificada em intervalos regulares. Este é mais útil do que o exame em jejum, mas mais da metade das pessoas com resultado positivo no exame de Kraft tiveram resultado negativo neste. Este exame dá negativo para a maioria das pessoas. Quando a sua tolerância à glicose está descontrolada, significa que você já estava diabético há muito tempo.

Aqui temos o exame de Kraft, o único que devidamente diagnostica o estado de hiperinsulinemia em diabetes. Similarmente ao exame de tolerância à glicose, inicia-se bebendo 100 g de glicose, mas crucialmente mede-se a INSULINA sérica ao longo do tempo, o que resulta em extrema precisão para identificar diabetes. Este é o exame que mostra se você tem sido exposto à doença cardíaca e às muitas outras doenças relacionadas à hiperinsulinemia. Este é um diagnóstico adequado para diabetes.

Vamos dar uma olhada nos padrões de respostas insulínicas que podem ser obtidos pelo exame de Kraft.

O padrão 1 mostrado aqui é uma resposta saudável, com uma resposta insulínica ligeiramente baixa à glicose. Kraft chamou esse padrão de euinsulinemia ou verdadeiramente não-diabético. Suas artérias estão fora de perigo e suas chances de doença estão minimizadas.

Padrao1

Padrão 1 = Não-hiperinsulinêmico, não-diabético

Em segundo lugar, temos o padrão 2 com uma resposta distintivamente mais alta à glicose. Isto é hiperinsulinemia, ou verdadeiramente diabetes in situ. Suas artérias estão em risco e a probabilidade de doenças crônicas está aumentando.

Padrao2

Padrão 2 = Hiperinsulinêmico, essencialmente diabético

O padrão 3 é similar: hiperinsulinemia, que essencialmente é diabetes, ou diabetes in situ. Você tem uma alta resposta insulínica, com uma queda lenta. Suas artérias estão inflamadas, e as muitas doenças crônicas associadas ao diabetes estão lhe aguardando.

Padrao3

Padrão 3 = Hiperinsulinêmico, essencialmente diabético

O padrão 4 é uma resposta insulínica muito alta, com uma queda dramaticamente lenta. Este também é hiperinsulinemia, ou diabetes in situ, e aqui suas artérias estão realmente em chamas, as doenças crônicas já se instalaram.

Padrao4

Padrão 4 = Hiperinsulinêmico, essencialmente diabético

Então aqui temos uma clara e inequívoca resposta saudável ao mais importante exame de saúde que você pode fazer, e três de presença inconfundível de doença:

AllPadrao

Kraft testou 14.384 pessoas dessa maneira ao longo de 30 anos. E qual a proporção de pacientes com resultados normais de glicose estavam na verdade diabéticos de acordo com o seu exame correto? A resposta é: mais de 75%! Essas pessoas tinham resultados normais de glicose, mas elas não estavam normais. Elas estavam diabéticas.

Kraft também teve uma carreira extraordinária em patologia, e encerraremos a introdução com as conclusões de suas investigações em mais de 3.000 autópsias pessoalmente conduzidas por ele.

Primeiramente, o dano do diabetes é vascular, ou arterial. Deve-se presumir que qualquer pessoa com esse tipo de dano seja diabética, exceto se o exame de curva insulinêmica de Kraft der negativo, com padrão de resposta 1.

Em segundo lugar, o dano vascular inicia ANTES que o exame de glicose esteja acentuadamente elevado. Aqui, Kraft evoca o trabalho do patologista Kimmelstiel, que claramente identificou dano vascular renal por hiperinsulinemia ANTES que os pacientes tivessem níveis de glicose elevados. A Doença de Kimmelstiel-Wilson é aceita como diagnóstico de diabetes. Na verdade, é a única patologia classificada como sendo típica de diabetes.

Por fim, o diabetes leva doença a todas as artérias. Desde os principais vasos coronarianos até os minúsculos capilares da retina, por toda parte. Oftalmologistas podem efetivamente diagnosticar diabetes através dessa lesão antes que as pessoas apresentem glicose elevada.

Além disso, Kraft identificou lesões nos capilares do septo IV do coração, onde o ritmo cardíaco é controlado e mantido. Ele propõe que esse também é um dos locais que a hiperinsulinemia afeta e mata através da arritmia que leva milhões de pessoas à morte cardíaca súbita.

Agora iremos encontrar este grande homem e discutir o trabalho de sua vida, mas encerraremos com uma profunda declaração sua à qual milhões devem prestar atenção:

“Aqueles com doença cardiovascular que não foram identificados com diabetes… simplesmente não foram diagnosticados.”

Espero que vocês apreciem nossa conversa tanto quanto eu apreciei, e espero que adquiram seu livro na Amazon. Vocês e seus entes queridos vão se beneficiar muito com o conhecimento. Obrigado.

IC- Estou aqui hoje para encontrar o Dr. Joseph Kraft, que tem uma carreira extraordinária em patologia e medicina nuclear e conduziu uma das caracterizações mais extraordinárias de mais de 15.000 pessoas para tolerância à glicose com curvas de insulina, que proporcionou grandes descobertas sobre a extensão, a verdadeira extensão do diabetes no mundo atual.

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PARTE 1 – KRAFT DESCOBRE

– As origens do trabalho revelador de Kraft em diabetes

– O trabalho dos Drs. Yalow e Berson, que:

. conseguiram marcar radioativamente a molécula de insulina

. descobriram que o Diabetes Tipo 2 é uma doenla de ALTA insulina

. a ortodoxia os rejeita, ainda insistindo erroneamente que diabetes é um problema de BAIXA insulina e alta glicose…

– A descoberta dos padrões fundamentais de insulina

JK- Na hora da aula, quando eu estava no segundo ano, ele disse “Dr. Kraft, eu tenho uma grande tarefa para o senhor, no próximo ano, eu quero que o sr. dê uma aula completa sobre diabetes em duas horas”. Eu disse <gulp> “sim, senhor!” Você sabe, isso é o mesmo que dizer “faça uma cobertura completa da Bíblia em duas horas!” E ele puxou a cortina e disse “está vendo toda essa gente?” Havia duzentos estudantes lá…

Uma das primeiras coisas que fiz foi revisar a literatura mundial sobre diabetes e me deparei com o trabalho magnífico dos Drs. Yalow e Bersen. Dr. Yalow era um físico, e Dr. Bersen especialista em Medicina Interna, chefe da seção de radioimunoensaios do hospital militar no interior do estado de Nova Iorque. Os dois juntos tinham muita capacidade porque inventaram uma técnica para marcar a insulina. Entretanto, não havia um padrão mundial. Havia uma companhia sueca, uma companhia farmacêutica chamada Pharmaceia que estabeleceu o padrão médico mundial para insulina.

Eu disse “iupiii, lá vamos nós!” Então começamos a adicionar esse exame a todos os nossos testes de glicemia e insulinemia. Uma vez que eu tinha 500 resultados, comparei com o que Yalow e Berson relataram. É preciso colocar em perspectiva que Yalow e Bersen estavam nadando contra a maré… Os outros [os ortodoxos] disseram “o que vocês estão dizendo? Há INSULINA em diabetes??? Vocês não sabem que diabetes é a AUSÊNCIA de insulina???”

Yalow e Bersen responderam: “não, nós não sabemos isso…” Essa era a situação deles.

Yalow e Bersen escreveram artigos magníficos que foram rejeitados pelas melhores instituições de publicação do mundo,

IC- Por causa da imensa resistência à ideia de que em uma doença de baixa insulina na verdade se pode ter elevada presença de insulina?

JK- Sim… Eles não sabiam explicar o papel da insulina na doença a ela relacionada, eles não tinham a mínima ideia do que era… Se colocarmos em perspectiva o tamanho relativo de uma molécula de insulina, seria como um amendoim comparado a um elefante, e eles tinham que achar um modo de mensuração, então designaram ‘microunidades’. Então foi isso, foi bem interessante.

Então fizemos cerca de 500 exames [de tolerância insulínica] em todo tipo de gente, com as mais variadas anomalias na tolerância à glicose. Estávamos usando os padrões da Associação Americana de Diabetes. Então eu levei uns 500-600 resultados de exames para casa, classifiquei-os de acordo com os padrões de resposta insulínica, porque havia certas diferenças específicas ocorrendo ali, então começamos a comparar os resultados – estávamos nadando contra a maré também – sabíamos disso. Porque tínhamos apresentado anteriormente num congresso e disseram “doutor, não é assim, os planos de saúde não vão aceitar isso”, e eu disse “sim, mas os planos de saúde é que vão determinar nossa prática médica?” Silêncio… E ficou nisso…

Quando tínhamos os 500 resultados, coloquei-os lado a lado e apresentei um estudo a convite de George Stevenson – era um… não sei o nome do evento, mas era um grande congresso em Washington DC. A maioria dos participantes estava interessada em procedimentos laboratoriais e nós apresentamos o nosso, e foi um sucesso. Foi um sucesso – as pessoas gostaram da ideia… Gostaram da ideia, então prosseguimos e publicamos aquele estudo.

Então, após mais alguns meses, tínhamos mais de mil procedimentos como aqueles. Apresentei outro no Congresso da Sociedade de Patologia de Illinois e, pasme, eles gostaram – assim eram dois; e o que finalmente sucedeu foi que os exames identificaram a característica definida e sequência de padrões. E foi então que tivemos a ideia de classificá-los de acordo com os padrões. Ninguém sabia qual deveria ser o valor ideal da insulina em jejum. Como seria possível saber? A cada exame se obtinham diferentes resultados de diferentes partes do país…

Tivemos respostas iniciais muito boas, a Sociedade Americana de Patologia Clínica quis que eu preparasse treinamentos, eles tinham dois grandes encontros por ano, na primavera e outono), então começamos a dar os treinamentos, e fez muita diferença… As pessoas estavam começando a reconhecer que sim, que era lógico e que podia ser assim…

O tempo todo eles tinham uma coisa em comum, eles diziam: “os planos de saúde não vão querer pagar, eles acham ridículo”. Eu disse “OK, eu acho que os planos de saúde então vão ditar como devemos praticar medicina?” Sim, eles vão. Então, a coisa ficou assim…!

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PARTE 2 – A VERDADEIRA CAUSA

– A aplicação clínica dos padrões insulínicos:

. conduzida pelos membros da comunidade médica de otorrinolaringologia

. hiperinsulinemia causa zumbido no ouvido, Doença de Menière e enxaqueca

– Os endocrinologistas e diabetologistas:

. parecem não compreender que a hiperinsulinemia é a causa central

. parecem não perceber glicose elevada é um sintoma

– Questões com a Associação Americana de Diabetes

– Introdução à obra de referência de Kimmelstiel

JK- Havia grandes lacunas em “como isso [o exame de insulina] repercute clinicamente” [i.e. sua aplicação prática]. Havia o grupo dos otorrinolaringologistas que estava muito interessado em perturbações do equilíbrio corporal [enxaqueca, doença de Menière, etc]. Um dos líderes no assunto era o Dr. Updegraff, do interior do estado de Nova Iorque, que tinha extensa prática com pessoas com hipoglicemia, hiperglicemia  – o que quer que fosse. Ele pegou meu artigo e disse “temos que fazer isso aqui”. Então fizeram, e sabe o que descobriram? Ele disse que descobriram que praticamente todos os pacientes que tinham glicemia elevada também tinham insulina elevada, e eu disse “puxa, que ótimo”. Então ele apresentou estudos no exterior como membro do grupo de médicos de Engenharia Anatômica – que consistia na maioria em otorrinos dedicados a perturbações do equilíbrio. Eles eram pioneiros nisso, não tiraram da cartola… Mais adiante esses médicos disseram “estamos encontrando os mesmos problemas que vocês nos EUA”…

Os endocrinologistas dizem: “isso é uma bobagem…” Os diabetologistas dizem: “eles não sabem do que estão falando…” Então aqui estamos… esse é um dos obstáculos que surgiram.

Os otorrinos eram os líderes nesse campo, e têm meu reconhecimento por isso. Porque, sem eles, não teríamos nada. Nada com  relação aos detalhes dos parâmetros clínicos.

IC- Acho que o Dr. Kenneth Brookler também, grande amigo seu, acho que ele disse que 98% ou mais de seus pacientes, que são pessoas com problemas no ouvido interno são hiperinsulinêmicos em algum grau, então é uma causa importante para esse problema também.

JK- Sim. Digo uma coisa, ele foi uma das nossas vozes mais fortes, ele é muito articulado, muito seguro do que está dizendo, e muito convincente. Ele começou a insistir nisso também [no poder e especificidade da curva de insulina]. Alguns outros otorrinos envolveram-se nisso. Havia o Dr. Shulman no interior de Nova Iorque, também um médico de Nova Orleans…

A coisa estava começando a andar, mas muito lentamente… O que ocorria era que havia uma falha de comunicação sobre o que constitui a condição diabética. A Associação Americana de Diabetes queria distância do assunto. Eles são muito bons na pesquisa deles, e têm a maior afiliação não-médica – a maioria dos membros e colaboradores são leigos – do que qualquer outra organização nos EUA, de verdade. É tão popular, toda a condição de diabetes, porque as pessoas percebem as consequências. Há os pacientes com problemas cardíacos, há os pacientes com problemas de pressão alta, há os pacientes com problemas de visão…

IC- E amputações.

JK- Sim. Houve pessoas que insistiram, apesar das descobertas de Yalow e Bersen, que isso não era algo real. Em outras palavras, você tinha que iniciar pela ‘premissa muito importante’ de que Diabetes Mellitus era hiperglicemia [i.e. glicose elevada].

Havia um médico, eu acho que era austríaco, Dr. Kimmelstiel, que veio para os EUA. Ele estava trabalhando no laboratório do Hospital Geral do Massachussets, e ele tinha um caso de amor com os rins – quero dizer, ele os havia estudado de cima a baixo, e tudo o mais, e ele conduziu análises de microscopia eletrônica e descobriu o seguinte: ele estava encontrando o que ele considerava achados definitivos de diabetes em certos casos de doença renal, muito embora as pessoas tivessem (aspas) “glicose normal”. Existe uma condição clínica chamada Doença de Kimmelstiel-Wilson, que é mais ou menos o parâmetro clínico…

IC- Na verdade, isso é bom, porque aquele ponto muito importante no seu livro, aquela observação, e estou me referindo a apenas uma delas, é de grande importância: “O dano começa antes da hiperglicemia”…

JK- Correto.

IC- Mas nas pessoas, muito antes, o metabolismo dos carboidratos estava anormal?

JK- Sim.

IC- Antes de se tornarem hiperglicêmicas?

JK- Sem dúvida. Esse é um fato muito importante que veio à tona e o Dr. Kimmelstiel salientou isso TAMBÉM – que está sendo ignorado [a percepção fundamental], mas eles dizem “o que é que ele sabe” – “ele é só um patologista”.

IC- Porém é um ponto crucial, porque mostra que antes da hiperglicemia a lesão aos capilares já está estabelecida.

JK- Exato…

IC- Mas esse ponto imensamente importante, como muitas outras coisas, eu suponho, está sendo simplesmente deixado de lado. Não se encaixa com o paradigma “hiperglicemia é diabetes”.

JK- Exato, exato… Acredite ou não, isso existe ainda hoje.

IC- É inacreditável!

JK- Isso existe ainda hoje… Há muitas classificações diferentes do estado metabólico nas quais se alteraram os valores de resposta glicêmica em jejum.

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PARTE 3 – O EXAME QUE REVELA

– O enorme iceberg do diabetes

. você precisa do exame de Kraft para identificar e solucionar

– A causa primária da aterosclerose

– A ‘cura’ de baixo carboidrato

– Detalhes da “versão de 2 horas” do exame de insulina

. acima de 40 µU/mL é diagnóstico de diabetes

. acima de 30 µU/mL requer as 3ª, 4ª e 5ª horas para diagnosticar

IC- Kenneth Brookler…

JK- Ele é um especialista em tudo…!

IC- Ele também é um cara muito simpático, vou encontrá-lo na próxima terça-feira.

JK- Excelente – diga-lhe que mandei um alô!

IC- Certamente!

Uma coisa a ser percebida também é o quão prevalente é a hiperinsulinemia … Eu acho que as pessoas não se dão conta que, entre 15.000 pessoas, apenas cerca de 2.500 são realmente euinsulinêmicas e não estão apresentando uma resposta problemática, é inacreditável! E a coisa vai numa direção, que as pessoas pensam “é óbvio que os diabéticos têm taxas mais altas de doença cardíaca, mas há um monte de gente que não é diabética e tem doença cardíaca”. Mas a realidade é que, se fossem examinadas adequadamente…

JK- Você descobriria que sim!

IC- Tem algo de muito significativo a respeito disso!

JK- Acho que estamos escalando uma montanha, mas pegando gente interessante ao longo do caminho. Espero fazer as pessoas se interessarem o suficiente para continuarem falando sobre isso… Você está indo bem, e você também, mas alguns dos médicos com quem conversei disseram “Joe, as pessoas não querem ouvir que estão diabéticas!”

IC- No seu exame de tolerância à glicose com curva insulinêmica, o que achei fascinante, e fiquei surpreso com os dados no seu livro, das 15.000 pessoas, em torno de 75% com tolerância normal à glicose tinham, na verdade, uma alta resposta insulínica, o que, como o senhor acertadamente diz, significa essencialmente que elas estão diabéticas. Se tiver uma elevada resposta insulínica à glicose, você está diabético. Muito embora a vasta maioria dessas pessoas jamais será classificada como diabética pelos exames usuais.

JK- Inclusive eu.

IC- O senhor teve resultado positivo no seu próprio exame algumas vezes na sua vida, não é?

JK- Sim… Como posso sair por aí dizendo às pessoas “você tem uma anomaliazinha na sua glicose” – e elas não têm diabetes – mas eu mesmo tenho, e tenho arteriosclerose dos vasos coronários, a carótida interna está com oclusão primária, então eu disse, para mim é o bastante, definitivamente. Certo, Kevin?

KK- Você está ótimo, papai!

JK- Obrigado…

IC- O senhor esteve ocasionalmente diabético de acordo com o exame apropriado e ocasionalmente não. Então é possível entrar e sair do diabetes, qualquer pessoa pode!

JK- Sim.

IC- Eu acho que o senhor associou o ocasional excesso de 3 a 5 kg a cada vez que teve um resultado positivo?

JK- Sim.

IC- Então o senhor conseguiu correlacionar esses fatores.

JK- Sim. Eu não tenho conhecimento ou coragem suficientes para fazer qualquer tipo de avaliação a respeito de gestão nutricional. O motivo é que há tantas autoridades em conflito, “uma melhor do que a outra”, e assim por diante, que eu não saberia onde parar, não saberia por onde começar. Então… é isso.

IC- O que é interessante é que o senhor teve pacientes do início dos anos 1970… Os padrões 2, 3 ou 4 essencialmente indicam diabetes, há uma alta resposta insulínica à glicose, uma resposta insulínica prolongada.

JK- Sim.

IC- E com esses pacientes com resultado positivo, se reduzissem carboidratos na dieta por um período prolongado, essencialmente era possível desativar a diabetes in situ? Então o senhor observou que era possível prontamente modificar o estado diabético?

JK- Nós esperávamos que as pessoas seguissem nossas recomendações, só isso! Porque aqui lidamos com um elemento altamente incerto… Chegavam pessoas que estavam em uma dieta de alta gordura, não sei como se chama isso… Dieta Pritikin?

IC- Acho que era Atkins, que era uma das mais famosas.

Jeffry Gerber- Dr. Kraft, mas eu pensava que a gordura saturada entope as artérias.

JK- O quê?

IC- A teoria de que ‘a gordura saturada entope as artérias’…

JK- Bem, esse negócio de ‘entupir as artérias’ – isso não é algo que tenha sido demonstrado. É um conceito, que eles acham que vai explicar a posição deles com relação à interpretação e manejo da doença cardíaca. Como o Dr. Brookler salientou, é preciso fazer o exame corretamente, por no mínimo 2 horas, ninguém quer fazer o de 5 horas. E o que o Dr. C – um dos meus médicos – era o meu estatístico, um desses gênios que conseguem fazer números saltar e tudo mais – ele salientou que as alterações insulínicas têm um valor específico para ligar e desligar, mas ele disse que um dos melhores marcadores de todos os exames – é a insulina após 2 horas. E o que acontece se a insulina não estiver elevada? Então se faz o exame de 3 horas para ver se ela está em platô antes de diminuir. Essa foi uma descoberta significativa. Ele me disse que o número que podemos usar, no nosso entender da coisa, é que se a insulina, após um exame de 2 horas de tolerância à glicose, estiver maior do que 40 [microunidades/mL] é diagnóstica [de diabetes]. E se estiver apenas acima de 30? [microunidades/mL ou µU/mL] Bem, daí é preciso olhar a 4ª e 5ª horas para ver onde estava antes do platô, e aí estava a diferença.

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PARTE 4 – DESCOBERTA DURANTE A GUERRA DA COREIA

– Autópsias em jovens soldados da Guerra da Coreia:

. incidência extraordinária de aterosclerose focal

. técnicas excelentes de autópsia das forças armadas americanas

– Discussão sobre o septo cardíaco interventricular

. os minúsculos vasos do centro de controle rítmico cardíaco

. exposto à hiperinsulinemia, exposto ao dano

JK- Quando o General cirurgião requereu as autópsias nos jovens da Guerra da Coreia, eles não sabiam o que iriam encontrar, mas sua descoberta foi particularmente notável de alta incidência de atero / arteriosclerose focal – foi uma magnífica [descoberta]. As forças armadas tinham uma técnica muito especial, na qual de alguma forma conseguiam visualizar todos os vasos cardíacos, inclusive os estreitos capilares, que elucidariam algumas alterações que ocorreriam no interior do septo IV [do coração]. Foi extremamente interessante, e importante, porque aí é exatamente onde a hiperinsulinemia atinge e age.

IC- Não é apenas nos vasos principais, a hiperinsulinemia afeta os vasos menores do músculo cardíaco similarmente?

JK- Sim, correto. E os cardiologistas não aceitam porque desconhecem anatomia patológica em autópsia.

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PARTE 5 – PATOLOGIA

– A patologia fundamental do diabetes:

. é vascular / arterial – até oftalmologistas podem diagnosticar

– Concepções da Associação Americana de Diabetes

. a pesquisa deles é defasada – negligencia o diagnóstico preventivo

. a hemoglobina glicada (HbA1c) é uma ferramenta diagnóstica tardia

– A morte de pessoas proeminentes por ataque cardíaco

. jamais diagnosticadas com a doença diabética causal

JK- A patologia fundamental do diabetes é vascular. E o que isso envolve? Envolve cada capilar, cada pequena artéria, cada artéria principal, e assim por diante. Todas têm envolvimento potencial. Quando o grau de envolvimento é excessivo, algumas coisas acontecem. Por exemplo, é por isso que oftalmologistas dizem “podemos diagnosticar retinopatia diabética antes que surjam alterações” [na glicemia]. Eu digo claro que vocês podem. O que vocês dizem aos pacientes? “Dizemos: você pode estar diabético. Faça um exame de tolerância à glicose para descobrir, ou algo assim.” Meu próprio médico, o qual respeito muito, diz que ele não pode dizer a seus pacientes que eles têm diabetes, quando a glicemia está apenas ligeiramente anormal. Eles recebem um excesso de educação pela TV e tudo mais… Ele diz que é um palavrão Diabetes? Quer dizer, não poderia ser pior do que isso! É assim que o público foi educado com relação a isso. Deixe-me dizer o seguinte sobre a Associação do Diabetes… ela possui a maior afiliação não-médica do que qualquer sociedade médica no mundo inteiro. Cada um pode ser um pequeno contribuinte, mesmo pequenas contribuições totalizam grandes cifras, o que é responsável por boa parte dos recursos para pesquisa. Eu considero a pesquisa deles muito defasada. Entre os elementos que eles abordam há algumas informações que seriam importantes, mas não são relevantes no que eu considero como o diagnóstico laboratorial preventivo [do diabetes]. Por exemplo, a hemoglobina glicada [HbA1c] fracassou como tal [diagnostica tardiamente], porque ela simplesmente não se mantém [como uma ferramenta diagnóstica de precisão].

IC- São realmente muito tardios, quero dizer, procurar por Diabetes Mellitus, tolerância à glicose ou níveis elevados de glicação da hemoglobina… No momento em que se chega ao estágio de diagnosticar, com esses resultados estando elevados a doença já está muito avançada, você pode estar com diabetes in situ há uma década!

JK- Exato. Esse é um ponto muito importante, e a patogênese inicia bem cedo… A patogênese [dano arterial/vascular] inicia muito cedo! E é por isso que estou tentando convencer as pessoas, façam o raio do exame – o que vocês têm a perder? Se der negativo, ótimo! Continuem assim! Se der positivo, é possível fazer algo a respeito…

IC- É realmente… Eu mesmo como engenheiro, quando li o seu livro, fiquei surpreso, porque os dados falam por si mesmos. É tão clara a diferença entre uma resposta euinsulínica normal com uma curva baixa de resposta insulínica aos 100 g de glicose…

JK- Sim.

IC- E então há uma multiplicidade de padrões de respostas insulínicas elevadas. Mas todos são claramente diferentes.

JK- Sim, são…!

IC- Então uma vez que você faz o exame, e possivelmente o de 2 horas possa ser um indicador razoável, uma versão mais fácil, mas de qualquer maneira, você saberá se você não está diabético ou se você tem fisiologia diabética.

JK- Sim.

IC- E então é possível agir. Eu acho que hoje em dia está se tornando mais claro para muitas pessoas ao redor do mundo que o excesso de carboidratos estimula a secreção de insulina e tende a conduzir a esse estado. Então as pessoas podem efetivamente perder peso, reduzir a carga de carboidratos, e se tiverem feito seu exame, podem agir e se corrigir. É uma pena que que possam passar 10 anos sendo essencialmente diabéticas, com o dano vascular que isso acarreta, e então eventualmente serem diagnosticadas por medição de glicose, mas será tarde demais! É essa a sua frustração?

JK- Nós vemos isso de vez em quando com alguma pessoa proeminente na televisão que se exercitava, cuidava o peso, dizia-se que tinha boa química [bons resultados de exames]… e bingo! Teve um ataque cardíaco súbito. E morreu. Como é que você vai convencer alguém que essa pessoa tinha patologia diabética?? Vou lhe dizer: ninguém. Porque “podia ter sido eu, não quero saber…” Então, eu acho que isso é uma parte. Então, quando uma pessoa proeminente sofre um ataque cardíaco, chama muita atenção. Mas a patogênese nunca é mencionada, absolutamente nunca mencionada…

IC- A medicina moderna nos deixou na mão, em certo sentido, por não buscar uma compreensão da patologia do diabetes e de sua ampla prevalência, por não submeter as pessoas ao exame que pode identificar que elas têm esse problema, antes que sofram um ataque cardíaco?

JK- Acho que sim, mas lembre-se que minha resposta é a de um patologista: na ausência de informação patológica geral, onde é que uma pessoa tem algo para se segurar? Não tem nada. Antigamente, a autópsia era um pilar da medicina. Agora não é mais.

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PARTE 6 – PERDEU-SE A AUTÓPSIA

– Pulamos a explicação de Kraft sobre por que as práticas de patologia caíram em desuso nos anos 1970:

. disputas legais em torno das licenças causaram um embargo de 5 anos

. quando a situação foi resolvida, o estrago estava feito

– Retomamos a partir da autópsia cardíaca

. hiperinsulinemia pode causar dano aos microvasos cardíacos

. a arritmia resultante pode desencadear disfunção cardíaca irreversível

– Revisitando Kimmelstiel

– A esperança futura está com os patologistas forenses

IC- Porque a patologia, durante os anos 1970, começou a morrer enquanto ciência, na medicina, o que é uma perda imensa, porque aí é que realmente se aprende sobre o que está ocorrendo em nível microvascular.

JK- Na patologia cardiológica [a falta da autópsia] era ainda mais significativa, porque com o coração – só se tem um coração, e ele só pode ser seccionado em um determinado número de maneiras – pode-se fazer microtomia e tal, e cada um conduzia diferentes testes, mas somente quando se descobre algo que parece convincente a você, aí sim – é uma descoberta – e pode ser algo minúsculo como somente uma anastomose microvascular no septo [o septo IV intervascular, onde o ritmo cardíaco é controlado]. Eu não sei o que é que perturba o ritmo [i.e. que inicia a arritmia], mas em algum lugar do septo existe um delicado senso de direção e equilíbrio, e bingo – lá se vai! Isso fez sentido para mim [i.e. lesão microvascular causando ataque cardíaco por arritmia…], mas não se pode convencer as pessoas que estão estabelecidas na sua clínica médica, do que é a diabetes. Doença cardíaca, patologia cardíaca – é uma importante causa de óbitos na maioria das pessoas com diabetes. Na maior parte, o diabetes não apresenta uma patologia clínica identificável.

IC- Então a patologia do diabetes é vascular, em todos os vasos do corpo?

JK- Basicamente, sim.

IC- E o único problema vascular reconhecido é nos glomérulos renais?

JK- Sim, Kimmelstiel conduziu um estudo sobre isso – um estudo muito bom. Ele devotou a vida a esse glomérulo [sua especialidade]. Ele encontrou, sim, exatamente ali havia um espessamento que é específico [para o diabetes]. Essa, para mim, foi a única descoberta em autópsia que pode ser associada ao óbito de um paciente com diabetes. Isso desassocia todo o resto [falha em conectar todos os outros problemas com o diabetes]. Os otorrinos como o Dr. Brookler, e alguns outros nessa área, foram tão perseverantes com relação a isso que eles descobriram que sim – havia achados clínicos relacionados à hiperinsulinemia e eles realmente se engajaram nisso. Isso é num grupo muito limitado de pessoas… É predominantemente considerado entre membros da Neurologia Anatômica etc. etc. Eu acho que eles se empenham bastante, mas estão nadando contra a maré…

IC- Eu vou fazer mais uma pergunta sobre o coração. O senhor fez muitas autópsias de coração e, além da aterosclerose dos vasos principais, o senhor também analisou os microvasos… O senhor acredita que, essencialmente, aterosclerose dos microvasos causa uma outra forma de insuficiência cardíaca?

JK- Claro, acredito que sim… Porque, na verdade, ninguém sabe o quão sofisticado é o sistema intracardíaco… Ninguém sabe – o que se faz é olhar para um monte de músculo, ver o que acontece ali, e ele prosseguir e viver até 110 anos… E o que se descobre? Não muita coisa. Mas o que se pode descobrir através de um exame minucioso do septo IV, enquanto os vasos coronários [principais] não revelam patologia comprovada, pode-se encontrar um certo grau de vasculite cicatrizada [no centro de controle do ritmo cardíaco] ou um certo tipo de marcas lineares de etiologia desconhecida…creio eu. O que é preciso que ocorra no septo IV para causar alguma perturbação no seu ritmo? Eu não sei – mas não seria preciso muita coisa – pois uma vez que seja perturbado, ele pode permanecer assim, e pode não ser possível trazê-lo de volta ao normal.

IC- Então, para continuar investigando, seria preciso fazer microautópsia detalhada de muitos corações, tanto saudáveis quanto com esse problema, para tentar estabelecer uma relação? Mas, infelizmente, a patologia, como o senhor diz, uma autópsia do coração de alguém que morreu há 30 ou 40 anos…

JK- Há uma grande oportunidade nas pessoas que estão realizando patologia forense. Entretanto, na minha experiência, é difícil que pessoas principalmente interessadas em patologia forense se interessem em um assunto da importância do diabetes. Porque são eles que ainda veem uma boa quantidade de autópsias – eu sei disso porque assim é que é… E cada vez que uma é realizada, acrescenta algo ao conhecimento de alguém. Agora, como isso pode ser… unificado? Não sei. Mas como você vê, é isso que está faltando. É isso que está faltando.

IC- A unificação dessa peça crucial do quebra-cabeças…

JK- Correto.

IC- A integração da clínica e da anatomia patológica. Na medicina moderna, por alguma razão, tudo parece se dividir diretamente para as especialidades, então há os grupos de interesse, há as indústrias que criaram imensos canais de renda com base em certas visões de mundo.

JK- Pois é…

IC- Não tenho certeza, mas acho que talvez, de volta ao que o senhor disse que se o público tiver mais consciência dos fundamentos de como a coisa funciona de verdade, talvez ocorra uma reviravolta, e as pessoas voltem a se focar…

JK- Quando isso acontecer – se e quando isso acontecer, só poderá ser através da graça do Nosso Senhor, porque quem é que vai fazer a conexão??

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PARTE 7 – O DESPERTAR DO PÚBLICO

– O único caminho é através da conscientização do público

. é inútil tentar convencer médicos

– Disfunção erétil peniana (DEP)

. é também mais um sintoma de diabetes

– Diabetes gestacional – a próxima geração?

– Hiperinsulinemia dos jovens – o exame é necessário

JK- Você disse algo que é muito importante, e eu acho que é desse jeito que as coisas terão que ser… Você descobriu, e eu também, que tentar convencer médicos será uma batalha muito lenta, cansativa e frustrante… Entretanto, se for possível despertar o PÚBLICO para isso – iupiiii, daí a coisa vai! Porque há estudos muito bons em andamento com jovens, testando suas insulinas em jejum, e testando também a hemoglobina glicada [o exame de sangue de HbA1c] porque eles não encontram – o que é decepcionante para eles – que embora os valores [de glicemia] em jejum estejam baixos, verdadeiramente baixos, ainda assim eles têm a patologia [doença/dano] do diabetes. Porque não é ali que vão encontrar [o exame de resposta insulínica é necessário para diagnosticar].

IC- Pois é, a especificidade da insulina em jejum é simplesmente… Eu acho que no início do seu livro o senhor estabelece a premissa de que “Os valores de jejum na verdade NÃO fornecem informações significativas.”

JK- Não, não fornecem.

IC- É preciso obter a resposta dinâmica após a ingestão de glicose. E, então, é tão claro, torna-se inequívoco, ou você tem uma resposta normal, ou você tem uma resposta anormal. E o aspecto fascinante é, obviamente, que as pessoas com tolerância normal à glicose, na verdade talvez uns 70% delas, podem ter uma resposta hiperinsulinêmica, mas o resultado normal de tolerância à glicose indicaria que, aparentemente, elas estão bem, mas elas não estão.

JK- É.

IC- Eu acho que o senhor está certo. O público… eu acho que membros interessados, com conhecimento técnico, do público precisam obter as informações e começar a perceber que há muito mais do que aquilo que é compreendido pela profissão médica ortodoxa, especialmente em torno da hiperinsulinemia.

JK- É por isso que eu acho que poderíamos insistir a respeito da Disfunção Erétil Peniana (DEP). Porque, imagine só, 20 milhões neste país, 20 milhões ao redor do mundo, são 40 milhões de pessoas que eu considero clinicamente, nesse momento, no mínimo pré-diabéticas, e que poderiam ser definitivamente diagnosticadas com a patologia [lesão vascular diabética] com o exame apropriado de tolerância oral à glicose e curva insulinêmica. Seria preciso algo assim para pegar algumas pessoas… explodiria aí. Mas eu não sei como fazer isso… Você vai estar por aí por muito mais tempo do que eu…!

JG- Precisaríamos de um diagnóstico para as mulheres! Os homens têm a DEP, mas precisamos de um diagnóstico para mulheres!

JK- Na verdade existe um, porque a gravidez em si causa uma elevação na resposta glicêmica, e o diagnóstico de diabetes gestacional com curvas insulinêmicas, de acordo com a Associação Americana de Diabetes, marca a pessoa para o resto da vida. Elas têm que ser periodicamente examinadas para descartar um quadro de descontrole. O mesmo acompanhamento é oferecido aos seus filhos. É difícil convencer algumas mulheres disso, principalmente porque seus médicos não compreendem e não falam nada a elas a respeito. Então… eu estarei observando vocês de lá de cima quando isso acontecer!!

IC- Tentaremos fazer o nosso melhor! Bem, o diabetes gestacional é algo significativo, e no seu livro o senhor também esclarece que bebês de peso elevado, associados com mães hiperinsulinêmicas terão risco aumentado de obesidade e diabetes durante toda a vida…

JK- Sim. Essa descoberta não é minha, é uma conclusão da Associação Americana de Diabetes. Eles simplesmente fizeram uma revisão estatística – só isso… É uma grande incógnita em que as estatísticas se basearam – para que pudessem agir.

IC- Sim, e são apenas estatísticas associativas também… Enquanto que o que eu aprecio no exame de tolerância à glicose com curva insulinêmica é que ele é tão preciso, tão inequívoco no resultado. Se fosse usado nas mulheres durante a gravidez, daria diagnósticos precisos de hiperinsulinemia, muito mais do que o usado atualmente.

JK- É…

IC- Isso poderia convencer o público feminino, especialmente porque afeta os filhos, o que evidentemente vai preocupar as mulheres muito mais do que sua própria saúde.

JK- É…

JG- Existe alguma outra coisa, algum outro diagnóstico, para os filhos, para as crianças que o senhor poderia mencionar?

JK- O Exame de Tolerância Oral à Glicose também é válido para os jovens, e é um parâmetro importante, porque se vierem a casar com alguém com significativo histórico familiar de diabetes, é possível prever exatamente o que aconteceria… Não se pode vencer as probabilidades – as probabilidades são tremendas…

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PARTE FINAL – A SOLUÇÃO

– Pessoas com padrão 1 a vida toda com doença cardiológica severa?

. “Eu gostaria de vê-las!”

– Como a pessoa comum está sendo educada?

. as propagandas dominam, confusão de dietas

– Colocando o Diabetes Tipo 2 em remissão:

. redução de carboidratos deverá ser a futura estratégia

IC- A ideia de que essencialmente a hiperinsulinemia, através de uma resposta insulínica ruim de tolerância à glicose, seja a causa primária da aterosclerose… Muitas pessoas me dizem “sim, resistência insulínica e hiperinsulinemia são UMA das causas”, mas daí, fica muito nebuloso, porque supõe-se que há várias causas para aterosclerose. Há tantas supostas causas, é tão confuso, mesmo após 50 anos de estudos… Mas a primeira evidência convincente com que eu me deparei gira em torno da hiperinsulinemia.

JK- Sim…

IC- O que o senhor pensa sobre outras causas em pessoas que foram euinsulinêmicas durante a vida toda? Elas realmente podem ter aterosclerose avançada?

JK- Eu gostaria de vê-las! É preciso chegar a esse ponto… E você se pergunta, isso é possível? Em teoria, tudo é possível, mas… Eu não sei do que se trata isso – e não creio que alguém tenha identificado algo de específico tampouco…

IC- Claro…

JK- Não que eu saiba…

IC- Eu procurei, e devo dizer que também não encontrei nenhuma evidência de que em alguém que seja euinsulinêmico de acordo com o seu exame – o pequeno percentual da população que é realmente euinsulinêmico – também não encontrei nenhuma evidência de que estariam expostos a aterosclerose significativa. Não sei sobre você, Jeff… Você terá que se submeter ao exame do Dr. Kraft para responder a essa pergunta… É possível ter aterosclerose severa quando sempre se teve uma resposta euinsulinêmica saudável à glicose?

JG- Eu adoraria saber a resposta…

JK- Eu também… Kevin e eu refletimos sobre isso diversas vezes… Onde é que o cidadão comum em Chicago recebe educação sobre diabetes? Chegamos a esta conclusão: é nas propagandas que assistimos… “Este é um cateter perfeito, aqui tem um e você só precisa de uma gotinha de sangue. Ele vem com sua data de nascimento e tudo mais, e em quem votar!” Mas é um verdadeiro dilema… Meu grande amigo internista, com subespecialidade em geriatria, ele disse “meus pacientes não querem ouvir que estão com diabetes – ou só um pouquinho de diabetes!”

IC- Eu acho que o problema agora também é se as legiões de diabéticos forem identificadas, através do exame correto, o seu exame, o que se dirá a elas? E muitos médicos não terão conhecimento da solução através da dieta, então essa é mais uma lacuna…

JK- Exato…

IC- Eu acho que o senhor mencionou antes, o senhor falou sobre Atkins e a dieta de alta gordura… Há uma ciência que está emergindo agora, e há muitos médicos tratando diabéticos tipo 2 com dieta de baixo carboidrato e colocando a doença em remissão em enormes percentuais de pacientes, mais de 90% dos pacientes estão deixando de usar insulina após alguns meses de dieta de baixo carboidrato, é impressionante! E essa é a nova esperança para o futuro também, é que muitos médicos estão começando a perceber “espere aí, diabetes é a doença de intolerância a carboidratos essencialmente…” Mas as Associações mandam comer “dietas com bastante grãos integrais saudáveis”, altas em carboidratos para então enchê-los de insulina! Mas na verdade, só é preciso reduzir enormemente os carboidratos da dieta para a doença recuar… Na próxima década isso também poderá avançar…

Aqueles com doença cardiovascular que não foram identificados com diabetes simplesmente não foram diagnosticados.”

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A nutricionista Amy Berger escreveu uma série de 8 postagens comentando extensivamente os resultados do Dr. Kraft. Hilton Souza está publicando todas elas no seu blog Paleodiário, traduzidas por Juliana Whately.

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8

 

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  • Junior Vieira

    Parabéns Izzy pelo blog novinho em folha.
    Está muito bonito.
    Obrigado por disponibilizar mais uma fonte de ótimas informações para nós amantes da boa saúde.
    Sucesso!!!!!!!

    • izzy

      Obrigada pela visita, Junior! Fique de olho, tem muita coisa legal no forno!

  • Cau Gomes

    parabéns pelo blog e pela iniciativa de postar a entrevista.

    • izzy

      Obrigada Cau, volte sempre!

      • Cau Gomes

        já estou repassando o material para várias pessoas.Obrigado!

  • Juci.

    MUITO OBRIGADA, IZZY!!!
    .
    Quando vi o vídeo, imediatamente quis mostrar à alguns familiares, mas eles não dominam inglês e teriam dificuldades para enxergar as legendas. OBRIGADA POR TORNAR A LEITURA ACESSÍVEL A ELES!!!
    <3!!!

    • izzy

      Nossa Juci, fico muito feliz em saber disso!

  • Gil

    Comentei no blog do Dr Souto e o transcrevo aqui:

    “Parabéns, Izzy, copiei e fiz até impressão da entrevista para colocar nas mãos de algumas pessoas preguiçosas quanto ao acesso na internet. E quando devorei a entrevista aqui no blog do Dr.Souto, entre outros pensamentos, não pude deixar de lembrar do dito: “A saúde é um tanto
    quanto subversiva, pois não oferece lucro a ninguém”.

    Alguém pode me informar se porventura já existe alguma editora no Brasil interessada em publicar o livro do Dr. Kraft em português? Muita vontade de devorar este livro também…”

    Gostei muito do nome do seu blog! Mais um na minha lista dos melhores…

    • izzy

      Excelente, Gil, a idéia é levar essa informação ao maior número possível de pessoas e subverter as práticas convencionais dominantes 😉

      Quanto ao livro do Dr. Kraft, como ele mesmo disse na entrevista, ele seguia e recomendava as diretrizes oficiais de dieta de evitar gordura saturada e aumentar o consumo de grãos integrais, tudo aquilo que estamos evitando!

      Muito obrigada pela visita e pelos elogios!

  • Paty Ayres

    Moça, que maravilha!!

    • izzy

      Obrigada por me prestigiar, Paty 🙂

  • Gil

    O nome do seu blog nos remete ao assunto saúde como um todo, ok? Gostaria, então, de ver uma postagem opinando/comentando sobre esta polêmica em torno da fosfoetanolamina sintética/câncer. O que você acha? O assunto esteve ontem (24.02.2016) na pauta do programa do Ratinho e tem infestado as redes sociais de uns meses para cá…

    https://youtu.be/Mk-MAvbFAuI

  • André Marcanth

    Fantástico e muito esclarecedor!!