11 gráficos que mostram tudo o que está errado com a dieta moderna

Por Kris Gunnars, BSc | Julho de 2015

A dieta moderna é a principal razão pela qual as pessoas do mundo todo estão mais gordas e doentes do que nunca. Em todos os lugares onde chegam os alimentos modernos processados, as doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2 e doença cardíaca vão atrás.

Os estudos são claros a respeito disso… quando as pessoas abandonam seus alimentos tradicionais em favor de alimentos modernos processados ricos em açúcar, farinha e óleos vegetais refinados, elas adoecem (1, 2, 3).

Claro, há muitas coisas que podem contribuir para os problemas de saúde, mas mudanças na dieta são o fator mais importante.

Aqui estão 11 gráficos que mostram tudo o que está errado com a dieta moderna:

1. O consumo total de açúcar disparou nos últimos 160 anos

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Fonte: Johnson RJ, et al. Potential role of sugar (fructose) in the epidemic of hypertension, obesity and the metabolic syndrome, diabetes, kidney disease, and cardiovascular disease. The American Journal of Clinical Nutrition, 2007.

As pessoas nos países ocidentais estão consumindo quantidades massivas de açúcares refinados, chegando a aproximadamente 67 kg por ano em alguns países. Isso equivale a mais de 500 calorias de açúcar por dia. As fontes variam sobre os números exatos, mas está muito claro que estamos consumindo muito mais açúcar do que nossos corpos têm condições de assimilar (4).

Estudos controlados em humanos mostram que grandes quantidades de açúcar podem levar a graves problemas metabólicos, incluindo resistência insulínica, síndrome metabólica, colesterol e triglicérides elevados – somente para citar alguns (5, 6).

Acredita-se que a adição de açúcar seja uma das principais causas de doenças como obesidade, diabetes tipo 2, doença cardíaca e até mesmo câncer (7, 8, 9, 10).

2. O consumo de refrigerantes e sucos de frutas aumentou dramaticamente

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Fonte da imagem

De todas as fontes de açúcar na dieta, bebidas adoçadas com açúcar são as piores.

Sucos de frutas na verdade não são melhores… a quantidade de açúcar que eles contêm é similar à maioria dos refrigerantes (11).

Ingerir açúcar sob forma líquida é particularmente danoso. Os estudos mostram que o cérebro não “registra” calorias de açúcar líquido da mesma forma que calorias de alimentos sólidos, o que aumenta drasticamente a ingestão de calorias totais (12, 13).

Um estudo mostrou que, em crianças, cada porção diária de bebidas adoçadas com açúcar está associada a um risco 60% maior de obesidade (14).

3. A ingestão calórica subiu em torno de 400 calorias por dia

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Fonte: Dr. Stephan Guyenet. The American Diet. 2012.

Embora as fontes variem sobre os números exatos, está claro que a ingestão de calorias aumentou dramaticamente nas últimas décadas (15). Existem muitas razões complexas para isso, incluindo o aumento no consumo de alimentos processados e açúcar, maior disponibilidade de alimentos, marketing mais agressivo para crianças, etc. (16).

4. As pessoas abandonaram gorduras tradicionais em favor de óleos de vegetais processados

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Fonte: Fonte: Dr. Stephan Guyenet. The American Diet. 2012.

Quando os profissionais de saúde começaram a culpar a gordura saturada pela doença cardíaca, as pessoas abandonaram gorduras tradicionais como manteiga, banha e óleo de coco em favor de óleos vegetais processados. Estes óleos são muito ricos em ácidos graxos ômega-6, que podem contribuir para inflamação e vários problemas quando consumidos em excesso (17, 18). Estes óleos são frequentemente hidrogenados, o que os torna ricos em gorduras trans. Muitos estudos têm demonstrado que estes óleos e gorduras na verdade aumentam o risco de doença cardíaca, mesmo se eles não forem hidrogenados (19, 20, 21).

Portanto, o conselho equivocado de evitar gorduras saturadas e escolher óleos vegetais em seu lugar pode ter alimentado a epidemia de doença cardíaca.

5. As pessoas substituíram a manteiga saudável para o coração por margarina carregada de gordura trans

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Outro efeito colateral da “guerra” contra gordura saturada foi um aumento no consumo de margarina.

Margarina é tradicionalmente feita com óleos hidrogenados, que são ricos em gorduras trans. Muitos estudos mostram que as gorduras trans aumentam o risco de doença cardíaca (22, 23).

Manteiga de gado alimentado com pasto contém nutrientes que são, na verdade, protetores contra doenças cardíacas (como a vitamina K2) e, portanto, os conselhos para substituir a manteiga por margarina, carregada de gordura trans, podem ter causado muitos danos (24).

6. O óleo de soja tornou-se uma grande fonte de calorias

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O óleo vegetal mais comumente consumido nos Estados Unidos é o óleo de soja. O óleo de soja forneceu 7% das calorias na dieta norte-americana no ano de 1999, o que é enorme (25)! No entanto, a maioria das pessoas não têm a menor ideia de que estão consumindo tanto óleo de soja. Na verdade elas o estão consumindo nos alimentos processados, que muitas vezes têm óleo de soja adicionado porque é barato. A melhor maneira de evitar o óleo de soja (e outros ingredientes nefastos) é evitar alimentos processados.

7. O trigo moderno é menos nutritivo do que antigas variedades

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Fonte: Fan MS, et al. Evidence of decreasing mineral density in wheat grain over the last 160 years. Journal of Trace Elements in Medicine and Biology.

Há evidências de que o trigo moderno, que foi introduzido por volta do ano de 1960, é menos nutritivo do que variedades mais antigas.

O gráfico acima é de um experimento que tem sido conduzido desde o ano de 1843. Nele, os cientistas têm cultivado diferentes variedades de trigo, medindo a quantidade de nutrientes. Você pode ver que o conteúdo mineral começa a diminuir por volta de 1960, que coincide com a introdução do trigo moderno.

O trigo de hoje tem aproximadamente 19-28% a menos de importantes minerais como magnésio, ferro, zinco e cobre em comparação com o trigo dos nossos avós.

Há também evidências de que o trigo moderno é muito mais prejudicial para pacientes celíacos e pessoas com sensibilidade ao glúten se comparado com as variedades mais antigas (26, 27, 28).

Considerando que o trigo possa ter sido relativamente saudável naquela época, o mesmo não é verdadeiro com relação ao trigo anão moderno, que é o que a maioria das pessoas está consumindo.

8. O consumo de ovos caiu

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Fonte da imagem

 Os ovos estão entre os alimentos mais nutritivos do planeta.

Apesar de serem ricos em colesterol, os ovos não elevam o colesterol ruim no sangue (29).

Por alguma razão, as autoridades de saúde recomendaram que reduzíssemos o consumo de ovos, mesmo sem provas de que eles pudessem contribuir para a doença cardíaca (30). Desde o ano de 1950, diminuímos o consumo deste alimento altamente nutritivo de 375 a 250 ovos por ano, uma redução de 33%. Isto contribuiu para uma deficiência de nutrientes importantes, como a colina, da qual cerca de 90% dos americanos não estão recebendo o suficiente (31).

9. As pessoas estão comendo mais alimentos processados do que nunca

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Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Fast Food, Weight Gain and Insulin Resistance. Whole Health Source.

Este gráfico mostra como o consumo de fast food aumentou nas últimas décadas. Tenha em mente que mesmo que pareça que as pessoas ainda estejam comendo a maioria de seus alimentos “em casa” – isto não leva em conta o fato de que a maioria das pessoas também está comendo alimentos processados em casa.

10. O elevado consumo de óleo vegetal alterou a composição de ácidos graxos no nosso corpo

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Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Seed Oils and Body Fatness- A Problematic Revisit. Whole Health Source.

A maioria das gorduras ômega-6 que as pessoas estão consumindo é um ácido graxo chamado ácido linoleico.

Estudos mostram que esse ácido graxo é incorporado em nossas membranas celulares e depósitos de gordura do corpo. Essas gorduras são propensas à oxidação, o que danifica as moléculas (como o DNA) no corpo e podem aumentar o risco de câncer (32, 33, 34, 35, 36).

Em outras palavras, o aumento do consumo de óleos de vegetais processados tem levado a mudanças estruturais verdadeiramente prejudiciais em nosso corpo. Esse pensamento é assustador.

11. As diretrizes nutricionais para reduzir o consumo de gordura foram publicadas na mesma época em que começou a epidemia de obesidade

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Fonte: National Center for Health Statistics (US). Health, United States, 2008: With Special Feature on the Health of Young Adults. Hyattsville (MD): National Center for Health Statistics (US); 2009 Mar. Chartbook.

As primeiras diretrizes nutricionais para os americanos foram publicadas no ano de 1977, quase ao mesmo tempo em que começou a epidemia de obesidade. Claro, isso não prova nada (correlação não significa causalidade), mas faz sentido que esta poderia ser mais do que apenas uma mera coincidência.

A mensagem anti-gordura essencialmente colocou a culpa na gordura saturada e no colesterol (inofensivo), ao mesmo tempo em que deu passe livre ao açúcar e carboidratos refinados (nada saudáveis).

Desde que as orientações foram publicadas, muitos estudos têm sido realizados sobre a dieta de baixo teor de gordura. Ela não é superior na prevenção de doenças cardíacas, obesidade ou câncer à dieta ocidental padrão, que é tão prejudicial quanto uma dieta pode ser (37, 38, 39, 40). Por alguma estranha razão, ainda estamos sendo aconselhados a seguir este tipo de dieta, apesar dos estudos mostrarem que é completamente ineficaz.

Outros textos do mesmo autor traduzidos em português aqui no Paleodiario.

Referências

  1. Origins and evolution of the Western diet: health implications for the 21st century (2005)
  1. Traditional Non-Western Diets (2010)
  1. The Tokelau island migrant study: prevalence and incidence of diabetes mellitus (1980)
  1. Consumption of added sugars is decreasing in the United States (2011)
  1. Adverse metabolic effects of dietary fructose: results from the recent epidemiological, clinical, and mechanistic studies (2013)
  1. Consuming fructose-sweetened, not glucose-sweetened, beverages increases visceral adiposity and lipids and decreases insulin sensitivity in overweight/obese humans (2009)
  1. Consumption of high-fructose corn syrup in beverages may play a role in the epidemic of obesity (2004)
  1. The Relationship of Sugar to Population-Level Diabetes Prevalence: An Econometric Analysis of Repeated CrossSectional Data (2013)
  1. Sweetened beverage consumption and risk of coronary heart disease in women (2008)
  1. Dietary sugar and colon cancer (1997)
  1. Excess fruit juice consumption by preschool-aged children is associated with short stature and obesity (1997)
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  1. Sugar-Sweetened Beverage Consumption Is Associated With Weight Gain and Incidence of Type 2 Diabetes (2005)
  1. Relation between consumption of sugar-sweetened drinks and childhood obesity: a prospective, observational analysis (2001)
  1. Estimating the changes in energy flux that characterize the rise in obesity prevalence (2009)
  1. Environmental influences on food choice, physical activity and energy balance (2005)
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  1. Low Fat, Low Cholesterol Diet in Secondary Prevention of Coronary Heart Disease (1978)
  1. Corn Oil in Treatment of Ischaemic Heart Disease (1965)
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  1. Changes in consumption of omega-3 and omega-6 fatty acids in the United States during the 20th century (2011)
  1. Presence of celiac disease epitopes in modern and old hexaploid wheat varieties: wheat breeding may have contributed to increased prevalence of celiac disease (2010)
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  1. Choline in the diets of the US population: NHANES, 2003–2004 (2007)
  1. Cardiac proinflammatory pathways are altered with different dietary n-6 linoleic to n-3 α-linolenic acid ratios in normal, fat-fed pigs (2007)
  1. Lipid peroxidation-induced DNA damage in cancer-prone inflammatory diseases: a review of published adduct types and levels in humans (2007)
  1. Omega-6/Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acid Ratio and Cancer (2003)
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  1. Low-Fat Dietary Pattern and Risk of Cardiovascular Disease (2006)
  1. Low-fat dietary pattern and weight change over 7 years: the Women’s Health Initiative Dietary Modification Trial (2006)
  1. Low-fat dietary pattern and risk of colorectal cancer: the Women’s Health Initiative Randomized Controlled Dietary Modification Trial (2006)
  1. Multiple Risk Factor Intervention Trial – Risk Factor Changes and Mortality Results (1982)
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