Alzheimer e hiperinsulinemia

Estudo: Quase metade dos casos de Alzheimer é devida à hiperinsulinemia

Original na Medical News Today em 13 de abril de 2016

Os cientistas sabem há muito tempo que há uma forte associação entre diabetes e doença de Alzheimer, mas a natureza desse relacionamento – e como tratá-la – não estava clara. Agora, Melissa Schilling, uma professora de inovação na Universidade de Nova Iorque, descobriu a rota entre diabetes e doença de Alzheimer, com grandes implicações na forma como a doença de Alzheimer pode ser prevenida.

A professora Schilling comparou e integrou décadas de investigação sobre diabetes, doença de Alzheimer e química molecular, com especial atenção aos resultados conflitantes. As práticas de rotina em pesquisa – como por exemplo, excluir todos os pacientes com sabidos problemas médicos, tais como diabetes – dos estudos de Alzheimer haviam obscurecido os mecanismos que ligam as duas doenças. Esses principais mecanismos são a insulina e as enzimas que a degradam. As mesmas enzimas que degradam a insulina também degradam a beta-amilóide, a proteína que forma placas e nódulos no cérebro de pessoas com Alzheimer. Quando as pessoas têm hiperinsulinemia (ou seja, eles secretam insulina demais devido a uma dieta pobre, pré-diabetes, diabetes precoce, obesidade, etc.), as enzimas estão muito ocupadas degradando insulina e não degradam a beta-amilóide, causando seu acúmulo.

A Associação Americana do Diabetes estima que cerca de 8,1 milhões de americanos têm diabetes não diagnosticada e 86 milhões têm pré-diabetes e não têm nem ideia. A boa notícia é que o hiperinsulinismo pode ser prevenido e tratado através de mudanças na dieta, exercício e medicação. Schilling observa que “se pudermos levar à conscientização e fazer com que mais pessoas sejam testadas e tratadas para a hiperinsulinemia, poderíamos reduzir significativamente a incidência da doença de Alzheimer, bem como outros problemas de saúde relacionados ao diabetes. Todos devem ser testados, precoce e frequentemente, de preferência com o teste de A1C (hemoglobina glicada) que não necessita de jejum. Especialmente pacientes com demência devem ser testados – alguns estudos têm mostrado que o tratamento de hiperinsulinemia subjacente pode retardar ou mesmo reverter a doença de Alzheimer”.

A pesquisa da professora Schilling foi publicada no  Journal of Alzheimer’s Disease.

N. da T.: Como vimos na primeira postagem deste blog, o único exame que detecta a hiperinsulinemia de forma precoce é a Curva de Insulina (mínimo de 2 horas). O diagnóstico por hemoglobina glicada é tardio.

Mais sobre Alzheimer e hiperinsulinemia em português no Paleodiário e no Lipidofobia (digitar Alzheimer no campo de pesquisa no menu à direita).

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