Carta aberta ao Dr. John Warner, presidente da Associação Americana de Cardiologia, sobre sobreviver a um ataque cardíaco

Original aqui

Por William Davis | 14 de novembro de 2017

Manchetes hoje anunciaram que o novo presidente da Associação Americana de Cardiologia (AHA), o cardiologista Dr. John Warner, sofreu um ataque cardíaco, revertido por uma colocação emergencial de stent. Típico das atitudes ridículas pró-indústria que prevalecem na AHA, eles twittaram:

Enviamos todo o nosso amor e apoio ao presidente da @American_Heart, Dr. Warner, enquanto ele se recupera de um ataque cardíaco leve. A doença cardíaca pode atacar qualquer um, a qualquer hora. É por isso que continuamos lutando.

Se você ignorar os absurdos ditados pelas diretrizes da AHA, você simplesmente pode ganhar controle sobre o risco cardiovascular. Mas você não vai encontrar as respostas em nenhuma diretriz da AHA. Eu aprendi essas lições enquanto cardiologista intervencionista, então abandonei esta maneira ridícula de gerir a doença coronariana para dedicar meus esforços à prevenção e detecção precoce.

Pensei em articular esses pensamentos em uma carta aberta ao Dr. Warner enquanto ele se recupera de seu procedimento.

Dr. Warner,

Imagine que você leia estas manchetes:

“Campanha no Afeganistão foi um sucesso: 10.000 americanos mortos.”

Você ficaria confuso, talvez indignado. Como pode a morte de soldados americanos ser considerada um sucesso quando é claramente um fracasso total?

Bem, da mesma forma, nossos colegas cardiologistas, executivos dos hospitais, da Big Farma e da indústria de dispositivos médicos fazem declarações do tipo “nós tivemos um ano extraordinário, nosso ano de maior sucesso: 800 pontes de safena e 18.000 cateterismos cardíacos executados”. Essas não são medidas do sucesso; são medidas do fracasso em identificar pessoas em risco, fracasso em corrigir os fatores que conduzem ao ataque cardíaco, à angina, e à doença aterosclerótica cardíaca, fracassos aos quais você acaba de sobreviver.

Há várias razões porque alguém como você – profundamente arraigado ao mundo da gerência convencional da doença cardíaca e suposta prevenção – evidencia o profundo fracasso que o paradigma do cuidado coronário moderno representa:

1) Estamos presos na hipótese lipídica obsoleta, mas lucrativa: fomos ludibriados e paralisados nesta noção absurda e ultrapassada de que o “colesterol” causa acúmulo de placa aterosclerótica – enquanto deveria representar nada mais do que um marcador bruto e indireto para lipoproteínas aterogênicas, até mesmo na década de 1950 quando os Drs. Friedewald e Fredericksen do NIH (National Institutes of Health USA) reconheceram que a quantificação da verdadeira etiologia da aterosclerose coronariana, lipoproteínas do sangue, causava acúmulo de placas ateroscleróticas. Colesterol estava destinado a ser nada mais do que um marcador bruto para tais lipoproteínas, mas NÃO É A DOENÇA EM SI. Mas a Big Farma entrou em cena, turvando as águas e persuadindo nossos colegas de que o colesterol é um fator causal e merece “tratamento”. Centenas de bilhões de dólares e muitos eventos coronarianos mais tarde que NÃO foram prevenidos pela noção absurda de tratamento do colesterol com estatinas, continuamos tendo muitos eventos coronarianos que generosamente pagam a Big Farma, cardiologistas, hospitais e a indústria de dispositivos médicos.

2) Sabemos por dados abundantes que as pequenas partículas de LDL propensas a oxidação e glicação são altamente aterogênicas (causadoras de placas ateroscleróticas), pois elas permanecem durante 5-7 dias na corrente sanguínea, em comparação com 24 horas para as grandes partículas de LDL geradas pelo consumo de gordura; são aderentes aos glicosaminoglicanos da íntima arterial; são potentes desencadeantes da cascata inflamatória, por exemplo, metaloproteinases de matriz na Tunica Intima do endotélio; e são geradas em abundância por alguns genótipos mediante consumo de amilopectina A presente nos grãos – sim, o alimento que a AHA aconselha como base da dieta – e açúcares.

3) Tenho advogado por mais de 20 anos por tomografias computadorizadas cardíacas para gerar um escore de cálcio coronariano, o único meio que temos de medir e acompanhar o avanço ou regressão da carga da placa coronariana. E seu escore de cálcio coronariano é maravilhosamente manipulável e reversível – fiz isso inúmeras vezes e publiquei os dados. Pessoas que interrompem a progressão de seu escore de cálcio coronariano (em comparação com os 25% de progressão ao ano típico de pessoas que tomam estatinas) ou reduzem seu escore praticamente não têm eventos cardiovasculares – NENHUM.

4) Como com todas as condições complexas, tais como demência e câncer, a doença coronariana é multifatorial. Pensar que uma estatina (+ aspirina e um beta-bloqueador) são suficientes prevenir eventos coronarianos é absurdo e excessivamente simplista, como pensar que tomar Aricept para demência vai parar a doença – é claro que não. Nossos colegas dizem que muitas das causas não podem ser tratadas, porque as drogas ainda não existem – isso é realmente verdade: não existem medicamentos para tratar muitos dos fatores da aterogênese coronariana. Mas existem muitas estratégias não-medicamentosas para identificar e, em seguida, corrigir, tais causas: remoção de todos os fatores dietéticos que provocam a formação de partículas pequenas de LDL, resistência à insulina e glicação; restauração de vitamina D (25-OH) a um nível de 60-70 ng/ml que exerce efeitos anti-inflamatórios, tais como redução da ativação anormal da metaloproteinase de matriz; uma dose de ômega-3 suficiente para gerar um índice eritrocitário igual ou superior a 10% associado à dramática redução de eventos cardiovasculares, diminuição das partículas pequenas de LDL e atenuação dos padrões pós-prandiais de lipoproteína aterogênica; restauração do status tireoideano ideal, dado o aumento exacerbado de risco com valores mesmo na faixa normal alta de TSH; cultivo da flora intestinal saudável para corrigir a disbiose comumente causada pelo consumo de açúcar, água clorada, exposição a antibióticos, pesticidas/herbicidas e medicamentos comuns tais como bloqueadores H2 e inibidores da bomba de prótons para o refluxo gástrico. Problema: embora eficazes, essas estratégias não são oferecidas pela Big Farma, não exigem nenhum envolvimento da indústria de dispositivos médicos, nem mesmo requerem um médico na maioria dos casos. Assim, não há representantes de vendas sensuais oferecendo-as, não há viagens para Orlando com todas as despesas pagas, nem anúncios diretos ao consumidor na TV e poucos médicos estão interessados.

Espero que, agora que esta doença tocou você pessoalmente, seus olhos se abram às diretrizes corruptas e absurdas de cuidados coronarianos convencionais e da AHA. Sua vida, afinal de contas, pode estar em jogo nos próximos anos. Ao contrário do twitt autocêntrico da equipe da AHA para você, o risco de ataque cardíaco é 1) mensurável, 2) rastreável, 3) passível de ser interrompido e revertido. Veja o que aconteceu com o comentarista político Tim Russert alguns anos atrás: um escore de cálcio coronariano de 550 que seu médico desconsiderou como bobagem, tratou o colesterol com uma estatina e a hipertensão com vários agentes, juntamente com aspirina, aconselhando uma dieta de baixo teor de gordura e exercício. Cinco anos mais tarde, Sr. Russert morreu repentinamente no set de seu programa de TV Meet the Press. Se calcularmos seu escore cardíaco no momento da morte, foi 1880, um escore que está associado com risco anual de 15-20% de morte ou ataque cardíaco: o ataque cardíaco e morte do Sr. Russert foram claramente anunciados cinco anos antes, mas um colega cardiologista ignorante não conseguiu reconhecer. Sr. Russert deveria estar vivo hoje, saudável, não tendo sido submetido a qualquer procedimento coronariano. Você, da mesma forma, deveria estar saudável, sem stents e praticamente nenhum risco. Mas isso não é o que o mundo convencional da doença cardíaca oferece porque não gera lucro para os agentes da saúde.

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